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viajar para que? para onde?

Tenho que fazer viagens com este meu novo trabalho. Trabalhos de campo precisam de registros e de entrevistas, muitas vezes forçadas, porque algo precisa ser produzido para o tipo de comunicação adotado… nem vou discutir isso agora, enfim. O fato é que eu viajo.

A última foi para um povoado chamado Atoleiro, praticamente na divisa do Piauí e do Ceará (tanto que para chegar lá passei por Pedro Segundo-PI). O lugar está bem caracterizado pelo nome. Anti-tucanês total. Passei dois dias visitando a casa do seu Gonçalo, de 83 anos. Ainda vou escrever sobre ele, mas agora não.

O tema deste texto surgiu na pousada, minha estada durante uma noite. Na hora do jantar, três homens conversavam - enquanto esperavam uma carne que estava assando - sobre o beijo do casal de rapazes na novela das oito. Dava pra notar o moralismo misturado com a saliva mas, até aí, nenhuma surpresa, não é?

A carne chegou à mesa e com ela a teoria mais extravagante que já ouvi. Um deles, o mais jovem, comentou que havia lido numa revista que o homossexualismo é uma disfunção genética. Claro, não era uma coisa tão simples. Segundo a revista, a criança quando está se formando, recebe uma carga de testosterona e isso determina se ela será hetero. Não satisfeito com o poderoso argumento, ele ainda disparou: é assim mesmo, a gravidez é um negócio que envolve muito risco.

Fiquei imaginando a cena: o bebê se formando, sem orientação sexual muito bem definida, aí vem uma lufada de testosterona e pronto! Vai ser machão! Na ausência dela, aí… bom, fico imaginando que ele deve ter a mesma teoria, só que de forma invertida, para as mulheres. Está lá a bebê e puft! vem a testosterona e muda tudo na vida da pessoa. Imagino a culpa que os pais devem sentir, né? Meu deus, soltei sem querer a testosterona na criança errada! ó céus! Eu e minhas viagens.

conhecer sua própria complexidade

Não sei como é essa frase em grego, mas se soubesse ela ficaria num pedacinho de tábua, em cima da porta da minha cozinha, tipo como na cena do Oráculo no filme Matrix. Sinceramente, para mim só existem dois tipos de seres humanos que consigo distinguir: os mononucleados e os complexos.

Não conta o gênero ou a opção sexual, a cor ou a etnia, a grana ou a falta dela. Complexidade é uma conquista de poucos e poucas e tem filósofo e psicanalista que passou a vida inteira estudando isso. Nessa vida, conhecemos pouco seres complexos e eles são bons. Por força de ofício (os que escolhi para mim, que são dois) encontro muita pessoas com potencial e eu pelejo com elas. Com força. Chego a ser chato uma porrada de vez.

Mas falho várias vezes também, permanecendo na labuta por pura, e incorrigível, esperança. Não só de que novas complexidades passem pelo meu caminho, como também pela esperança de que a minha complexidade se transforme em algo cada vez mais profunda - e eu mais louco por tabela. Porque da minha loucura inofensiva haverá de nascer ao menos um sorriso inigualável.

eu e meu violão

vamos tocando (em vão)
o teu regresso…

para quem tem a sorte de estar livre depois das 18

Fhatima Santos canta Clara Nunes

O Projeto Terça Negra, realizado semanalmente no Mercado dos Pinhões, recebe hoje (20/5), a partir das 18 horas, uma apresentação da cantora Fhatima Santos interpretando músicas do repertório de Clara Nunes. Para muitos (entre os quais não me incluo, infelizmente) será uma surpresa ver casados dois timbres de voz cheios de tanta força. Para completar a fartura, a apresentação é gratuita.

O evento deve ser iniciado com o número “Bela ginga, dança Fortaleza”, apresentado pelo Jóias de África, grupo cultural africano no Ceará. Paralelamente, haverá exposição e confecção de penteados africanos por universitárias de Cabo Verde, Guiné Bissau e São Tomé e Príncipe que estudam em instituições de ensino superior de Fortaleza. A Terça Negra também vai oferecer oficinas de danças tradicionais africanas, além da exibição de vídeos e clips de grupos musicais de países do continente.

O Mercado do Pinhões fica na Praça Visconde de Pelotas, entre as ruas Gonçalves Ledo e Nogueira Acioly.

cegueira

cegueiraFoi no Jornal da Globo, foi rapidinho. Cegueira, do Fernando Meirelles estreou em Cannes, com entrevista coletiva com quase todo o elenco. Arrepiou muito ver só pedaços das cenas. Saramago ainda vai ver o filme, dar opinião. Mas a versão do filme em exibição já é uma mutilação do que Meirelles afirma ter filmado “tecnicamente”. Quero muito ver o filme e o DVD, cheinho de extras!

Existe um mundo na minha cabeça onde a cegueira é um fato.

agora que a coisa esquentou

dormi ontem com uma grande atribuição, mas ainda não acordei mudado. Acho que devo ir me adaptando aos poucos nessa história de ser o centro, quando pensei que estava sendo apenas o óbvio (olha como Caetano deixou suas influências…). O nome de coordenador executivo estadual é mais amedrontador do que eu esperava.

recomeço

Hoje começo uma nova jornada no período da noite. Alguns sacrifícios pessoais e de tempo, mas alguns ganhos profissionais. Coisas boas podem acontecer e isso é um prato cheio para as angústias diárias. Muito equilíbrio nessa hora!