da série… embarcar na conversa

Quem vê cara não vê preconceito. Assunto recorrente de taxista hoje é a violência, não importa se o Ronda anda prendendo gente a torto e a direito. Não foi diferente nesta semana quando peguei uma condução: o caminho era curto, a conversa foi rápida, mas estava lá o tema.

Entre queixas sobre as leis do país e a Justiça, meu condutor lamentava que para alguém ser preso (ir para o presídio) precisava cometer três crimes, pelo menos. Aquela conversa sobre réu primário emendou com outra sobre os custos do preso para o Estado, sobre a escola do crime e sobre o túnel de 70 metros do IPPS.

Até aí, uma pessoa pode passar por indignada, vítima de alguma violência, revoltada com o sistema penitenciário, qualquer coisa assim. Mas o camarada do volante aproveitou o final do caminho para dar o arremate: “dizem que bandido bom é bandido morto”.

Veja bem, não sou grande militante dos direitos humanos. Sou honesto, muita gente é mais aguerrida que eu. Não por isso consigo ficar calado, cara a cara com uma afirmação dessa. Minha educação me impediu de bater boca no carro mesmo e acabei por me sair com uma afirmação (meio que reflexiva) sobre o propósito inútil de degolar a cabeça de um problema que se multiplica, à revelia de uma sociedade que só quer aumentar as cadeias e colocar eletricidade em seus muros altos.

As balas já não atendem ao gatilho! Faz um tempo que acredito que no assunto violência urbana nós estamos vivendo uma roleta russa.

~ por marcelo inacio em 27.Fevereiro.2008.

3 Respostas to “da série… embarcar na conversa”

  1. Oi, Tio Celo! Visitando sua página e encontrando o tema que é inevitável pelo menos uma vez por dia aqui em Recife. Os prudentes saem da rota trabalho-casa no máximo para comer algo na rua, mas antes das 22h estão em casa. Mais do que prudente, estou quase agorafóbica. Evito mesmo alguns lugares/horários. Por aqui criaram um site de contagem de assassinatos no Estado (bodycount.pe), veja vc o absurdo! A resposta? A Secretaria de Segurança libera toda segunda-feira o número de mortos do fim de semana! RS… parece piada, né? Pois não é que quando o número é menor que 80 mortes no weekend, eles comemoram?! Pasmemos todos! Bjs procê.

  2. Terrível isso, Dani! É triste demais sobreviver numa cidade assim

  3. Nossa… seu blog tá lindo!! É, meu amigo. Eu não ando mais com saco de refutar argumentos como esse não. É clichê demais pra minha cabecinha. Espero que esteja bem. bjo, paz

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