dia-a-dia periferia

Caminhando nas ruas do meu bairro, no pingo do meio dia, dei-me com um sujeito com cara de não estou pra ninguém. Vinha puto com alguma coisa e quando ele começou a falar eu ainda atravessava a rua, com passos lentos.

Queixava-se de outra pessoa por quem eu tinha passado um quarteirão antes, um jornaleiro com uma bata do Diário do Nordeste que dava toques sobre os freqüentes assaltos na área a uma terceira pessoa, no volante de um carro preto.

O que esbravejava havia sido interpelado pelo jornaleiro, um branco, meio forte, pouco antes da minha presença. Na verdade, um tentou colocar o outro para correr, o jornaleiro tentando fazer as vezes de polícia, gritou com o sujeito: “cai dentro!”

Motivo aparente foi o estado do primeiro. Camisa enrolada na mão, pés descalços, negro. Segundo o próprio, trabalhava como vigia na minha rua, no turno da noite. De fato, ele veio caminhando na minha frente até encontrar com outra pessoa, a um quarteirão da minha casa. Vinha caminhando e jurando: “vou pegar aquele doido, eu sei quem ele é, mora ali na Vila Cazumba e fica dando uma de polícia. Tá vacilando. Deixa passar aqui que eu vou dar uma tacada nele”.

~ por marcelo inacio em 17.Abril.2008.

Uma resposta to “dia-a-dia periferia”

  1. boa sorte!!!

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